escrito em julho de 2021. ainda em andamento (o processo) ...
Nunca é tarde para percebermos nossas faltas enquanto ainda estamos vivos no mundo.
Por muito tempo, anestesiei minha mente, paralisei meus sonhos e me convenci de que era melhor assim, porque nada significo e minha existência é ínfima, porque nada importa muito, já que vamos todos morrer, porque seria mais fácil existir um grande nada em vez de tantas coisas no universo.
Seria mais fácil eu não existir.
Eu também tinha certeza de que tudo isso tinha a ver com a humildade: "a humildade de reconhecer que somos alguém e ninguém ao mesmo tempo", essa afirmação de uma frase que li algum dia num post da internet e que me tocou profundamente - e isso mostra perfeitamente como eu me mantinha aberta para as pequenas coisas que surgem no dia-a-dia.
Eu acho que fazendo tudo isso, eu me anulei inteira pra mim, e minha existência deixou de ter sentido. Isso foi duro, porque eu continuei existindo, a diferença é que agora a única coisa que não existia mais era um porquê.
Eu senti que perdi "essa sede de vida, essa vontade de proporcionar coisas ao próximo e essa visão positiva sobre nossa rotina" que um dia prometi que não deixaria de ter. Eu deixei o mundo me engolir e me fechei, desacreditando de mim.
Eu tentei tanto não falhar, que falhei comigo mesma. Ainda é difícil me convencer de que a liberdade está mais próxima do que um dia esteve, e que é sendo falha e me perdoando que eu chegarei até ela, mas venho tentando me repetir esse mantra para que ele passe da minha consciência para o meu coração.
Enquanto suprimi meu ser, tratei de acumular muito conhecimento e experiências, e sinto lá no fundo que fui o melhor que eu pude com as outras pessoas, e que esse processo foi importante para a valorização do meu eu, que muda completamente todos os dias.
Em essência, algo de que nunca esqueci e que sei que, mesmo anestesiado, continua sempre aqui, é minha crença no amor. O amor vai mudar o mundo, e, por vezes, eu me diminuí por pensar isso também:
"Às vezes, eu me canso
e penso que tudo o que já escrevi é uma merda
Me forço a mudar o disco
"Você só fala de amor" - eu me digo
Eu até tentei falar de outras coisas
Sem romantizar tanto assim
Mas amor é tudo o que eu tenho
Amor é tudo o que sai de mim."
E mesmo sendo exigente comigo mesma, eu me deixo ser o que sou. Estou voltando, recavando buraquinhos pra novamente me viver em alguém que ama e que acredita profundamente no amor.
Talvez seja esse o meu porquê.
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