Ainda não decidi se gosto de dirigir
Faz mais de um ano que busquei minha carteira definitiva de motorista. A Definitiva. Desde então, porque ainda não tenho carro próprio, ousei, por necessidade e comodismo que minha mãe - e dona do carro - proporcionou, sair por aí.
Apesar de conseguir enxergar rostos em todos os carros, gostaria que eles tivessem também expressões, ou que até falassem. Sem isso, carrego comigo que os motorizados andam sempre muito bravos. Parece que todas as pessoas são impacientes, sem educação e ignorantes no trânsito.
Ninguém erra, até errar.
Penso isso porque, após um período reconhecendo os "certos e errados do tráfego", desenvolvi algum senso crítico para diferenciar situações em que alguém buzinou por um erro tremendo e quando alguma buzinada é extremamente dispensável.
Babaquice.
Eu acredito de todo o meu coração que muitas buzinadas já salvaram vidas de famílias inteiras. Uma buzinada já salvou a minha - um caminhão que me fechava na estrada levava um motorista que dormia tão cansado que talvez estivesse sendo carregado por Deus, e minha buzinada o acordou.
Mas das vezes que levei buzinadas babacas, eu me pergunto qual provavelmente foi a repercussão para os motoristas que as dispararam. A mim, afetam-me profundamente. Uma buzinada significa a minha vida despedaçando e acabando ali naquele trecho da rua.
Talvez isso também diga muito sobre o poder que eu dou pra desconhecidos que, pra mim, não são nada além de um carro com cara de raiva.
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